quarta-feira, 18 de março de 2009

-Será que estou vivo?
E ao olhar o céu havia nuvens cobrindo todo o azul. Após alguns segundo o sol surgiu cegando seu olhos. Imediantamente ele colocou as mãos sobre sua face e esfregou suas pálpebras até que gerasse uma coceira que lhe fez ficar excitado.
orriu e continuou andando pela praça localizada no centro da cidade.
"A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois? No fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.” Caio Fernando Abreu

terça-feira, 17 de março de 2009

-Esta morte eu ofereço à vida...
e então encheu sua xicara lilás de leite, ocupou-se de duas colheres bem cheias de açucar e as despejou. Mexeu e sentiu descer por sua goela deliciosa sensação gelada.
-Esta morte eu ofereço aos vivos!
Deu mais uma passo e no vermelho tapete pisou. Como se tudo aquilo fosse realmente novo.
- Esta morte eu ofereço aos vivos.
Tirou seu sobretudo e pulou no mar.

domingo, 15 de março de 2009

...


Carta ao virtual...

Olá anônima.....
pensa o que sobre celulares, a Argentina, a normalidade, as facilidades?
....senhorita que escreve atrás de seu blog que ninguém sabe o endereço...
Viagens compartilhadas, moradas divididas, momentos vividos...
E aí? Sempre bom saber que você passa por aqui de vez em quando e assim nos encontramos... mesmo sem estar juntos sendo encontro de idéias e embates.....
seja sempre bem-vinda por essas bandas...
agora sei dos desabafos e assim ....
"Mas se você for esperar ficar pronta, nunca o ato de entrega se fará" Clarice L.
E os celulares......podem sim ser desnecessários.....rs
O que se faz com isso? O que se faz com as idéias? O que se faz consigo? O que se faz?
Sei lá...vou fazendo.... vou obrando.....e andando.....rs

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cada passo um espaço, sendo poço, sendo posso, sendo posso no poço, posso no passo.

Parado percebo q movimenta. sangue nas veias, coração que pulsa.... cabelo e unha no ar, rasgando antes o que não era eu.....percorrer sem querer é deriva de tempo, é movimento de mundo. Mesmo mudo, mudo.

Vida arte...contemplar qdo os olhos vêem telas, estáticas, coloridas em contraste. assistir quando se é filme,de frente a movimento, a cenas q articulam cenarios, calado, aberto e fechado. Atuar quando se faz palco, teatro, e subjetividade encarnada em esquete, momento, corpo público que interage arte, que interage si.

Chuva é o que molha o invisível. Ar não existe - invençao maluca- Concreto só com tato.

Entre o que fui agora e o que você está sendo ao ler em um agora futuro há a imensidão do deus imaginação... e o simples encontro entre um eu e um s'eu...um outro...

como se em uma festa pusse encontrar todos que já encontrei. Aquelas crianças que andavam comigo de bicicleta, qdo meu corpo não tinha pelos. Os adolescentes que se contentavam com chapinha e tocavam legião em praça. Os universitarios donos de ruas e embebidos e enfumaçados de uma loucura doméstica. Todos em uma mesma festa.... e eu? Seria risos, cheiros, sensações.... mas não teria corpo... seria Algo...com letra maiuscula e substantivo Próprio.... vida que se faz aqui...atualização de muitos ....



terça-feira, 10 de março de 2009

Fim do Aprimoramento....... Agora é ripa na chulipa!!!!!!!!!!!

"No horizonte do infinito – Deixamos a terra firme e embarcamos! Queimamos a ponte – mas ainda, cortamos todo o laço com a terra que ficou para trás! Agora tenha cautela, pequeno barco! Junto a você está o oceano, é verdade que ele nem sempre ruge, e às vezes se estende como seda e ouro e devaneio de bondade. Mas virão momentos que você perceberá que ele é infinito e que não há coisa mais terrível que a infinitude. Oh, pobre pássaro que se sentiu livre e agora se bate nas paredes dessa gaiola! Ai de você, se for acometido de saudade da terra, como se lá tivesse havido mais liberdade – e não existe mais ‘terra’” (NIETZSCHE,1981)

"existem múltiplos espaços públicos que podem ser criados e redefinidos constantemente, sem precisar de suporte institucional, sempre que os indivíduos se liguem através dos discursos e das ações: agir é começar, experimentar, criar algo novo, o espaço público como espaço entre os homens pode surgir em qualquer lugar, não existindo um locus privilegiado"(ORTEGA,2000)

"Acreditar no mundo é o que mais nos falta; nós perdemos completamente o mundo, nos desapossaram dele. Acreditar no mundo significa principalmente suscitar acontecimentos, mesmo pequenos, que escapem ao controle, ou engendrar novos espaços-tempos, mesmo de superfície ou volume reduzidos" (DELEUZE,1997)

"A loucura aos loucos e a normalidade aos normóticos, aos normais, aos neuróticos? Não. Somos um emaranhado de linhas que não se separa. De alguma forma estamos todos ligados, seja pelos encontros ou pelo distanciamento que achamos necessário. Como humanos, ou como vida, somos as identidades, as crises, as ambigüidades. Mas não somos peixes que podem viver emergidos em um mundo próprio, abaixo do nível do mar. E não somos pássaros que se distanciam da terra quando querem alçar vôos para respirar outros ares. Somos peixes e pássaros e loucos e normais... somos humanos em movimento, em devir. (...)“E quem disse que ia ser fácil?” Fazer da crise um passo e do desespero uma oportunidade de gritar. É quando o mundo grita que você é louco e em resposta você grita ao mundo: Louco é você, que chegou a tal complexidade que não se pode registrar em uma vida ou em um livro o que lhe fez assim, se você foi possível o que não será? Pensar cada pessoa como um mundo e descobrir que entrar em contato com outros mundos ao mesmo tempo é simples e trabalhoso. Simples por se tratar de uma disponibilidade ao encontro e trabalhoso por envolver fatores como o tempo – uma história que se atualiza a todo o momento - e o espaço – geografia complexa cheia de relevos formados por corpos em movimento." CURCELI 2009....rs

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pra algumas coisas a gente arruma cola...pra outras o jeito é jogar fora...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Despir-me. Zerar o placar para que outro jogo comece. Outro campo, outras roupas, outro solo, outros jogadores. O mesmo corpo com marcas, com calos, com rugasde sorrisos e rastros de lágrimas. Despir-me.
Vento que sopra o rosto suado. O menino respira o ar que vem lá de longe. O que chega vem carregadode partículas que perderam a origem, o surgir. Já foram chão de casa, terra de pomar, sujeirade unha e vento. Grão que pregam e despregam-se no ar, na pele, na água.
No primeiro chutar da bola chacoalham-se os pêlos que tremem. Alguns caem. Poros se abrem pretos . Pontos saem de dentro da carne.
Despir-me de mim. Novos pêlos, novas peles, novos cheiros, novos seres.....
Sejam bemvindos...vindo, vindo...
Que me morra, que se mato....
Mas principalmente, que seja bem vindo vivo.....pois vivo.

sábado, 24 de janeiro de 2009

De saco mto cheio de tudo isso......as vezes parece que caí neste mundo e ainda não me recuperei do tombo....
ainda bem que é as vezes....mas ainda mal que o as vezes é agora....fudeu...
é a vida

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

SãoPAulo... cidade furada de caminhos, becos...vias.
Cores sicronizadamente dessincronizadas. de quantas mãos, olhos e passos é feita esta cidade?
Como é possível que assim como no céu meus olhos se perdem infinitamente sem local de repouso, neste espaço urbano a frente não há alcance sem gente.
é gente pendurada pelos ares...jardins suspensos de concreto e carne que anda.
Não há mais distancias fícas...inevitavelmente nos trombaremos por esbarrões, olhares, paixõses e também gritos escalafobéticos de dentro de carros, de bares, de ruas...
Caibemos!

sábado, 17 de janeiro de 2009

for sada...
a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida"

seguro morreu de velho e sozinho...
leminski

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Não sei quando começou, mas de um repente estou aqui.
Criança que sou. Brincando de viver, de experimentar a inconstância em estar de olhos abertos e acessível a mundos. Em certos momentos tenho uma imensa vontade de continuar em estado sonífero, deitado em cama, subtraído de outros encontros além de mim comigo em minha imaginação.
É neste lugar que me sinto confortável, quando consigo brincar em minha imaginação com possibilidades nem sempre viáveis de acontecer Quando me sinto sem culpa de criar, de viver, de arriscar. Quando desconsidero a opção de me arrepender em fazer/pensar algo e me deixo levar por meus sonhos. Por mais que isso aconteça em um lugar que só em mim habito...minha imaginação. Necessito da solidão e do caminhar sem barreiras físicas. Necessito do delírio que desaprisiona o senso comum. Necessito poder decidir em mim o que se faz necessário e o que me faz ...
O que quero ser divido quando assim me faço... de resto, tenho em mim todas as possibilidades do mundo....tenho em mim todos encontros possíveis...tenho em mim a imaginação e o sono.....

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz

Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto prá dormir e sonhar

E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas

E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar

É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

E aprendi ...
(Gonzaguinha)

Época de fechamento pra balanço....casa dos pais.....

sábado, 13 de dezembro de 2008

Tarde de sábado...sampã. Dia nublado, ressaca e sorvete de flocos... muito bom.
Duas dormem em baixo do edredom, uma vê televisão e papeia calmamente, outros ainda não acordaram para o dia - noite contínua.
Agradável....
Voltarei para o sofá, esticarei o corpo e tomarei mais sorvete.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Bagagem

A mala: feita de costuras que pudessem sustentar tamanha diversidades, densidades e que em si trouxesse um espaço que coubesse o invisível e todos os buracos e vazios que ainda trago em mim. Uma mala em que os objetos que nela habita pudessem circular sem que se sentissem apertados, que pudessem se combinar, que a acomodação não resultasse em perda de volume, mas em aconchego de estar juntos.
Estar preso em uma mala. Considerar um contorno que limita, mas assim como diz Deleuze contorno que possibilita combinação finita e ilimitada. Pensemos o corpo como esta mala, resultado do encontro de um espermatozóide com um óvulo, onde um certo número de cromossomos encontrou outro certo número de cromossomos, que se combinaram e assim se deu cada um, seres únicos, singulares- fez se os corpos. E é essa mala que levo, meu corpo e tudo que lhe atravessa, ora virando carne, ora pedindo passagem, ora transformando-se em carne que pede passagem.
Corpo-mala sempre pronto a se deslocar. A mala é sempre um convite a se movimentar por outros espaços: viagem. Quando o corpo se faz como tal é feito um convite para que ele viaje pela vida. Para que se nasce? Para perambular pelos afetos, para ir de encontro com outros viajantes, para ser extraviado e muitas vezes para se perder completamente, ou seja, morrer.
Mala pesada de se carregar sozinho, viagem por espaços desconhecidos onde sentimos medo, sem saber qual é o caminho seguro e correto. Viagem sem local de chegada, sem local onde podemos nos encostar sem perigo de que nos roubem nossos conteúdos, sem que nos coloquem bagagem excessiva que nos deixem apertados.
O que trazemos em nossas malas (corpos) até então? Registros de uma vida que interagiu com lugares, pensamentos, ações, deslocamentos e vibrações. Pensar esta viagem como encontro com múltiplos relevos. Relevos pensados como formas que se destoam da chapação vista como natureza dada, relevos que se modificam assim como as montanhas que se tornam areia, como as larvas vulcânicas que se tornam rochas.
Mala pesada de se carregar sozinho. Sentir que por mais impossível que pareça trazer consigo um conteúdo que ninguém compartilha e perceber que no ato em que este conteúdo é compartilhado com outros viajantes fica mais leve o caminhar.
O que você leva em sua mala? Que “absurdo” é este que quando se torna público ganha um ar de utopia ativa? Você imaginaria há alguns anos atrás que grandes muralhas que trancafiavam pessoas pudessem deixar de existir? Eram pensamentos descompassados com toda uma sociedade que imaginava que o melhor jeito de lidar com a loucura era isolá-la –delírios de uma época?
Neste ano de aprimoramento penso agora que minha mala-corpo tem que ser costurada de vários tecidos, lã, lona e algodão. A linha que irá costurar também não deve ser única: Às vezes firme como linha de pescar para romper com anzóis buracos ainda não abertos, às vezes delicada como fios de cabelo, carregada de vida, de sensibilidade, arrancada de couro que sente dor ao se puxar, ao se fazer instrumento do fazer.
Assim como a mala que descrevo, Deleuze conceitua como estilo toda a singularidade encarnada. Desta experiência carrego a possibilidade de continuar levando uma mala em que nela contenha um mundo onde destoar dos outros modos de ser não seja doença. Em que o simples fato de viver é embutido de um repertório onde se revezam e se complementam as alegrias e o sofrer, onde quando o corpo-mala pesa há saídas para levar consigo toda a carga que se diz de um acumulado de vida, e que este acumulado não é feio e nem precisa ser substituído por outra ordem que se apresenta como melhor. Quando a mala pesa é necessário parcerias que pensem no rearranjo e alças que compartilhem o locomover dificultoso.